“Os presos estão passando muito tempo nas delegacias, sem necessidade” Essas são as palavras do defensor público, Alessandro Moura, que na manhã de ontem, juntamente com outros defensores, apresentou um estudo inédito, realizado pelo Observatório da Prática Penal da Escola Superior da Defensoria Pública da Bahia.
A pesquisa, com base nos dados extraídos da Central de Atendimento a Presos em Delegacias da Defensoria Pública da Bahia – CAPRED, do sistema de peticionamento eletrônico do Tribunal de Justiça da Bahia e do Diário Eletrônico da Justiça do TJBA, é referente a um monitoramento de prisões em flagrante ocorridas em janeiro de 2011.
Segundo Daniel Nicory, coordenador do Observatório e diretor da Escola Superior da Defensoria, a pesquisa comprova que a gravidade do caso não condiz com a punição aplicada e que a superlotação carcerária provocada por essa falha de avaliação, acarreta em problemas para o preso e para sua família.
Daniel continuou, afirmando que se faz urgente uma solução, pois da forma que a população clama por justiça e segurança, algo tem que ser feito de maneira global, juntando as diversas esferas do poder, seja executivo, legislativo, judiciário, a sociedade e até a mídia, mas não com prisões desnecessárias e por longo período. “Não se pode fazer nada no calor da emoção, pois assim surgem os julgamentos equivocados. Os casos devem ser analisados tranquilamente, as penas alternativas poderiam funcionar mais, ao invés de penas privativas de liberdade”.
Punições alternativas
O defensor Alessandro Moura destacou ainda que as cadeias são escolas do crime e que certamente não é essa a segurança pública que todos querem, por isso pede pelos assistidos da Defensoria. “Os grandes traficantes não estão sendo processados, mas os que são usuários ou os que precisam de um tratamento e não de prisão estão lá dentro”, comentou, acrescentando que a medida que estão aprisionando sem necessidade, estão ajudando os grandes traficantes, os que realmente aliciam.
A posição da SSP
Procurada pela repórter da Tribuna, a assessoria de comunicação da Secretaria da Segurança Pública do Estado, enviou uma nota de esclarecimento, em resposta aos dados divulgados pela Defensoria Pública da Bahia, que publicamos na íntegra:.
A Secretaria da Segurança Pública esclarece que as prisões realizadas no estado são feitas apenas em flagrante delito, comunicando-se imediatamente à Justiça, ou preventivamente, por determinação do Poder Judiciário. Ressalta ainda que cumpre a missão de defender a sociedade e que, se assim não fizesse, estaria prevaricando, acrescentando que, para resolver o problema das superlotações nas delegacias e também nos presídios, além de novas vagas no sistema prisional nos últimos sete anos, o governador Jaques Wagner assinou, há poucos dias, uma ordem de serviço para a construção de sete novos presídios, ampliação de outros quatro, o que representa a criação de mais de 3 mil vagas e um investimento de R$ 150 milhões.
