De acordo com a Central de Telecomunicações das Polícias Civil e Militar (Centel), 42 homicídios foram registrados em Salvador e Região Metropolitana (RMS) entre os dia 2 e 4 de fevereiro, quando o movimento de greve da Polícia Militar da Bahia (PM) tomou grandes proporções.  

Nesse período lojas foram saqueadas, entre as quais cinco são da Cesta do Povo dos bairros de Caixa D'Água, Ogunjá, Liberdade, Mata Escura e Pirajá, além de algumas lojas de eletrodomésticos localizadas nos principais pontos comerciais de rua da cidade.

Pela primeira vez depois de anunciada a greve dos policiais militares na Bahia, o governador Jaques Wagner fez um pronunciamento em rede estadual de rádio e TV para apresentar as providências que o Governo da Bahia adotou e que está dando continuidade para conter os atos de vandalismo que se espalharam pelo estado, a partir da ação de uma associação não reconhecida de policiais militares. 

Entre as medidas adotadas, reforçam a segurança pública estadual 2.350 militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Hoje se somarão a este contingente mais 600 homens. Wagner também conclamou todos os profissionais da Polícia Militar a retomarem a normalidade dos seus trabalhos. 
 
O governador afirmou que as famílias baianas podem ficar tranquilas. “Estamos tomando todas as providências para garantir a segurança dos nossos cidadãos”. Segundo Wagner, o governo agiu imediatamente e com todo rigor “para conter as ações de um grupo de policiais que, usando métodos condenáveis e difundindo o medo na população, chegou a causar desordem em alguns pontos do nosso estado”. Ele disse que não aceita que “um pequeno grupo, de forma irresponsável, cometa atos de desordem para assustar a população”.
 
De acordo com o governador, a partir de uma solicitação direta à presidenta Dilma Rousseff, desembarcaram na Bahia, na quinta-feira (3), os primeiros contingentes da Força Nacional de Segurança, que, juntamente com as Forças Armadas, já estão nas ruas para garantir a paz. “Não esperava outra atitude da nossa presidenta Dilma, defensora da democracia como eu”. Wagner disse que não se pode conviver com o movimento, decretado ilegal pela Justiça baiana, e que 12 mandados de prisão foram emitidos. 
 
Sobre as negociações com as associações que têm legitimidade para representar a corporação, Wagner afirmou que o Governo sempre esteve aberto para o diálogo. “Foi com democracia que garantimos conquistas importantes como o aumento real do salário, investimos na compra de quase três mil viaturas e mais de 9 mil homens foram incorporados ao efetivo policial”.
 
O governador enfatizou ainda que os gestores estaduais, ele inclusive, têm a consciência de que é preciso melhorar as condições de trabalho das polícias. “Vamos seguir em frente trabalhando com muita determinação para garantir a segurança pública e a tranquilidade do povo baiano”. Para o governador, “a PM do estado da Bahia, centenária milícia de bravos e defensora da paz, não pode se transformar num instrumento de intimidação e desordem”.