O dia 28 de abril é dedicado a um bioma exclusivamente brasileiro: A Caatinga. Decreto Federal de 20 de agosto de 2003, publicado no Diário Oficial da União, institui a data, que homenageia o professor João Vasconcelos Sobrinho (1908-1989), pioneiro na área de estudos ambientais no Brasil. A primeira celebração oficial do Dia Nacional da Caatinga ocorreu no dia 28 de abril de 2004, em Juazeiro, Bahia, no Seminário “A Sustentabilidade do Bioma Caatinga”.
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA) o bioma ocupa 11% do território nacional e abriga uma população de 27 milhões de pessoas. Entre as principais ações desenvolvidas atualmente pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) estende-se por grandes áreas de Caatinga, no território das bacias dos rios São Francisco e Parnaíba.
A Caatinga ocupa cerca de 11% do território nacional e está presente nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e Minas Gerais, segundo o MMA. Rico em biodiversidade, o bioma abriga 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 de abelhas. É essencialmente em áreas de Caatinga que vive o tatu-bola, animal escolhido como mascote da Copa do Mundo da Fifa que será realizada no Brasil neste ano”.
É urgente a luta pela preservação das ricas flora e fauna existentes em 564 mil quilômetros quadrados da Bahia. E também mudar a visão de miséria e inutilidade que geralmente se tem da caatinga. A Chapada Diamantina, o Raso da Catarina e as Dunas do São Francisco e a Depressão Meridional são ecorregiões de caatinga da Bahia. Cada uma dessas ecorregiões tem espécies de plantas e animais específicas.
A desertificação é uma das maiores ameaças à caatinga. A tendência de ter solos salinos que é comum no bioma, mas que, combinado com a irrigação sem os devidos cuidados, aumenta o risco de desertificação. As ações predatórias das caatingas são abertura de pastos, a exploração de lenha, carvão, além de pedreiras e de plantas, principalmente, bromelias e catos.
Árvores importantes para o bioma como umburana, aroeira, pau ferro, baraúna, quixabeira, e muitas outras se encontram em declínio populacional ou em extinção. Sem falar da fauna. As cutias, o mocó, os tatus peba e bola por exemplo e aves como as emas, a arara azul de lear são raras de se ver. As comunidades locais cabem a tarefa de participar efetivamente da conservação deste bioma.
O fato de ser o único bioma exclusivamente brasileiro deveria ser suficiente para garantir à caatinga um lugar de destaque e não ao contrário disso, estar sempre em segundo plano quando se discute políticas públicas.
BELEZA AGRESTE – Ocupando quase 10% do território nacional, com 736.833 km², a caatinga abrange os estados da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, sul e leste do Piauí e norte de Minas Gerais. Região de clima semi árido e solo raso e pedregoso, embora relativamente fértil, o bioma é rico em recursos genéticos dada a sua alta biodiversidade. O aspecto agressivo da vegetação contrasta com o colorido diversificado das flores emergentes no período das chuvas, cujo índice pluviométrico varia entre 300 e 800 milímetros anualmente.
Do tupi-guarani, o nome caatinga quer dizer “mata branca”, “mata rala” ou “mata espinhenta”. A caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, o que significa que grande parte do seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do mundo. Antigamente acreditava-se que a caatinga seria o resultado da degradação de formações vegetais mais exuberantes, como a Mata Atlântica ou a Floresta Amazônica. Essa crença sempre levou à falsa ideia de que o bioma seria homogêneo, pobre em espécies e em endemismos, estando pouco alterada ou ameaçada, desde o início da colonização do Brasil. Esse tratamento tem permitido a degradação do meio ambiente e a extinção em âmbito local de várias espécies, principalmente de grandes mamíferos.
ARARINHA-AZUL – Entretanto, estudos mais recentes apontam a caatinga como rica em biodiversidade, endemismos e bastante heterogênea. Muitas áreas que eram consideradas como primárias são, na verdade, o produto de interação entre o homem nordestino e o seu ambiente, fruto de uma exploração que se estende desde o século XVI. A vegetação da caatinga é adaptada às condições de aridez (xerófila). Quanto à flora, foram registradas até o momento cerca de mil espécies, estimando-se que haja um total de 2 a 3 plantas. Já a fauna está empobrecida, com baixas densidades de animais e poucas espécies endêmicas.
Mas, apesar da pequena densidade e do pouco endemismo, já foram identificadas 17 espécies de anfíbios, 44 de répteis, 695 de aves e 120 de mamíferos, num total de 876 espécies animais. Descrições de novas espécies vêm sendo registradas, indicando um conhecimento botânico e zoológico bastante precário deste ecossistema, que segundo os pesquisadores é tido como o menos conhecido e estudado dos ecossistemas brasileiros. Na caatinga vive a ararinha-azul, ameaçada de extinção, sendo que o último exemplar da espécie vivendo na natureza não foi mais visto desde o final de 2000.
PATRIMÔNIO AMEAÇADO – Além da importância biológica, a caatinga apresenta um potencial econômico ainda pouco valorizado. Em termos forrageiros, apresenta espécies como a catingueira verdadeira, o mororó e o juazeiro que poderiam ser utilizadas como opção alimentar para caprinos, ovinos e muares. Entre as de potencialidade frutífera, destacam-se o umbú, o jatobá, o murici e o licuri e entre as espécies medicinais, encontram-se a aroeira, o pinhão, o angico, o jericó, entre outras. Porém, este patrimônio encontra-se ameaçado.
A exploração feita de forma extrativista pela população local desde a ocupação do semi-árido, tem levado a uma rápida degradação ambiental. Segundo estimativas, cerca de 70% da caatinga já se encontra alterada pelo homem, e somente 0,28% de sua área encontra-se protegida em unidades de conservação. Mais do que uma PEC aprovada, a nossa valiosa caatinga precisa de políticas públicas eficazes, com o objetivo de protegê-la, utilizando de forma consciente e respeitosa todos os seus recursos.
(Fonte: Ascom UPB. Gutemberg Cruz)


