O clima na Bahia tem apresentado cenários extremos nas últimas semanas, impulsionados de forma direta pela atuação do fenômeno El Niño. De acordo com um balanço divulgado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), o mês de outubro foi marcado por termômetros superando a marca de 40°C em diversas regiões e volumes de precipitação abaixo da média histórica ao longo do litoral baiano.

O fenômeno climático global continua exercendo forte influência sobre as condições meteorológicas não apenas no estado, mas em toda a região Nordeste, com projeções de continuidade até o início de 2027. O monitoramento técnico aponta anomalias expressivas nas águas do oceano, exigindo atenção redobrada de órgãos públicos e da população diante de eventos atmosféricos severos e repentinos.

Aquecimento global e anomalias no Oceano Pacífico

As análises meteorológicas evidenciam que as águas das regiões central e leste do Pacífico Equatorial registraram temperaturas entre 3°C e mais de 4°C acima da média histórica. Os dados foram consolidados no Boletim de Monitoramento das Temperaturas da Superfície do Mar (TSM), elaborado pelo Inema com base em informações da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), utilizando como parâmetro o período de referência entre 1991 e 2020.

Esse aquecimento oceânico acentuado altera os padrões de circulação atmosférica global, refletindo diretamente no regime de chuvas e na distribuição do calor pelo território baiano. O cenário tem gerado preocupação entre especialistas devido à imprevisibilidade e à intensidade dos episódios registrados nas últimas semanas em diferentes municípios.

Temperaturas extremas e temporais isolados

Enquanto o litoral registrou chuvas escassas durante o mês de outubro, o interior do estado enfrentou ondas de calor intenso. No centro-oeste baiano, os termômetros ultrapassaram com frequência os 40°C, com destaque para o município de Rio do Pires, onde a temperatura atingiu 41,8°C.

As precipitações, por sua vez, concentraram-se de forma abrupta na reta final do mês, entre os dias 27 e 28 de outubro. Municípios como Ibicuí e Iramaia contabilizaram acumulados superiores a 100 milímetros em um intervalo de apenas 24 horas, provocando transtornos locais. O período também foi marcado por ocorrências atípicas, a exemplo de queda de granizo em Monte Santo e vendavais destrutivos no distrito de Gonçalo, no município de Caém.

Previsão climática para o próximo trimestre

Para o trimestre que compreende o período de novembro de 2026 a janeiro de 2027, as projeções do Inema apontam maior probabilidade de chuvas dentro ou abaixo da média nas faixas leste, centro-sul e oeste da Bahia. As regiões centro-norte e nordeste, por sua vez, encontram-se fora do período tipicamente chuvoso, enquanto as temperaturas devem se manter elevadas em todo o estado.

Segundo o meteorologista Aldírio Almeida, coordenador de Estudos do Clima e Projetos Especiais do Inema, o interior baiano vivencia sua principal quadra chuvosa de forma bastante irregular. A atmosfera mais aquecida favorece temporais pontuais e violentos sempre que sistemas frontais encontram condições propícias, alternando longos períodos de estiagem com volumes expressivos de água em curto espaço de tempo.

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