Levantamento junto ao TSE mostra Lula forte na região, enquanto as disputas estaduais seguem dinâmicas próprias
O Grupo O Eco é reconhecido há décadas pela cobertura jornalística da Bahia e do Nordeste e também atua como um instituto de pesquisa de grande renome no interior da Bahia, acompanhando de perto o comportamento do eleitorado, as transformações políticas e a evolução das disputas eleitorais. Ao longo dessa trajetória, consolidou experiência na análise de pesquisas e no acompanhamento dos cenários que antecedem as eleições.
Com esse compromisso, o Grupo O Eco realizou um levantamento no sistema oficial de pesquisas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reunindo estudos registrados e divulgados por diferentes institutos. A análise considerou pesquisas para presidente apenas nos estados em que esse cenário foi efetivamente pesquisado. Nos demais, foram observadas exclusivamente as disputas para governador, sempre respeitando os registros oficiais e as diferenças metodológicas entre os institutos.
O primeiro aspecto que chama atenção é a permanência da força eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste. Nos estados onde houve pesquisas para presidente, Lula aparece com ampla vantagem, especialmente na Bahia, em Pernambuco e no Ceará. Os números indicam um desempenho muito próximo ao registrado nas eleições de 2022, reforçando que a região continua sendo seu principal reduto eleitoral.
Na Bahia, porém, a disputa pelo Governo do Estado segue uma dinâmica própria. O levantamento do Grupo O Eco mostra que, desde o início de 2026, a maior parte das pesquisas registradas e divulgadas por institutos como Paraná Pesquisas, Real Time Big Data e Veritá aponta ACM Neto na liderança, em alguns momentos com vantagem superior a dez pontos percentuais sobre o governador Jerônimo Rodrigues. A principal exceção é a Genial Quaest, que passou a indicar um cenário de empate técnico entre os dois. Também chamou atenção o registro de uma pesquisa da AtlasIntel, contratada pelo jornal A TARDE, que chegou a constar no sistema do TSE sob o número BA 01994/2026, com divulgação prevista para o fim de julho, mas deixou de aparecer na consulta pública antes da publicação dos resultados. Até o momento, não houve esclarecimento oficial sobre a indisponibilidade do registro.
Esse conjunto de informações recomenda cautela na interpretação de pesquisas isoladas. Ainda assim, quando se observa a sequência de levantamentos registrados ao longo de 2026, ACM Neto aparece de forma recorrente na liderança e chega à fase decisiva da pré-campanha em posição de favoritismo. Jerônimo Rodrigues reduziu diferenças em alguns institutos, melhorou indicadores de avaliação administrativa e conta com o importante apoio político do presidente Lula, mas ainda enfrenta o desafio de reverter uma vantagem que permanece consistente na maior parte das pesquisas divulgadas.
Em Pernambuco, Lula também apresenta ampla vantagem na disputa presidencial. Já a eleição para governador mostra um cenário competitivo, evidenciando que a força do presidente não se transfere automaticamente para os candidatos aliados. No Ceará, Lula mantém vantagem expressiva para presidente, enquanto a disputa estadual continua aberta, confirmando que o eleitor tende a diferenciar a escolha para a Presidência da República da decisão sobre o governo estadual.
Nos demais estados do Nordeste, onde não houve pesquisas para presidente, o levantamento identificou realidades distintas. Há estados em que os atuais grupos políticos aparecem em posição confortável, outros registram disputas bastante equilibradas e alguns permanecem com cenários indefinidos, que deverão ser melhor esclarecidos pelas próximas pesquisas.
O retrato geral produzido pelo levantamento é claro. Lula continua sendo o principal ativo eleitoral do campo governista no Nordeste e mantém forte influência sobre o eleitorado regional. Ao mesmo tempo, a análise demonstra que as eleições estaduais seguem uma lógica própria, fortemente influenciada pelas lideranças locais, pela avaliação das administrações, pelas alianças políticas e pelas características específicas de cada estado.
A Bahia representa hoje o exemplo mais evidente dessa realidade. Apesar da larga vantagem de Lula na disputa presidencial, o conjunto das pesquisas estaduais aponta, até o momento, um cenário mais favorável a ACM Neto do que ao governador Jerônimo Rodrigues. Nos demais estados, os cenários variam entre disputas equilibradas, lideranças consolidadas e situações ainda indefinidas, reforçando que cada eleição estadual possui dinâmica própria.
O Grupo O Eco continuará acompanhando os registros oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, a divulgação de novas pesquisas e a evolução do cenário político. O compromisso permanece o mesmo, interpretar os dados com responsabilidade, equilíbrio, rigor técnico e independência editorial.
As pesquisas não definem o resultado das urnas, mas ajudam a identificar tendências do eleitorado. Ainda haverá convenções, campanhas, debates e acontecimentos capazes de alterar o cenário atual. Mesmo assim, o levantamento realizado pelo Grupo O Eco revela uma tendência importante, Lula segue eleitoralmente muito forte no Nordeste, mas a definição dos governos estaduais dependerá, sobretudo, da força das lideranças regionais e da dinâmica política de cada estado.
