ACM Neto lidera numericamente no primeiro e no segundo turno, registra menor rejeição que Jerônimo Rodrigues e mantém oposição competitiva em uma eleição ainda marcada por elevado número de indecisos

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (29) revela um cenário de forte competitividade na disputa pelo Governo da Bahia em 2026. Embora os números indiquem empate técnico entre o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), e o governador Jerônimo Rodrigues (PT), uma leitura política do levantamento mostra que a oposição reúne indicadores considerados positivos para a sequência da campanha.

No principal cenário estimulado para o primeiro turno, ACM Neto aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Jerônimo Rodrigues registra 38%. A diferença de um ponto percentual encontra-se dentro da margem de erro de três pontos percentuais, caracterizando empate técnico.

Os demais candidatos aparecem com percentuais reduzidos: Aroldo Felix (UP) soma 1%, Ronaldo Mansur (PSOL) também registra 1% e José Estevão (DC) não alcança 1%. Além disso, 13% dos entrevistados permanecem indecisos, enquanto 8% declararam voto branco, nulo ou afirmaram que não pretendem votar.

Em um segundo cenário de primeiro turno, praticamente não há alteração: ACM Neto mantém 39%, Jerônimo permanece com 38%, Aroldo Felix e Ronaldo Mansur seguem com 1% cada, enquanto 14% permanecem indecisos e 7% afirmam votar em branco ou nulo.

Na simulação de segundo turno, ACM Neto amplia sua vantagem numérica, alcançando 43%, contra 39% de Jerônimo Rodrigues. Outros 11% ainda não sabem em quem votar, enquanto 7% optariam por branco, nulo ou não compareceriam às urnas.

Embora o cenário também permaneça dentro da margem de erro, analistas políticos costumam observar que uma liderança repetida em diferentes cenários representa um indicativo de competitividade eleitoral, especialmente quando acompanhada por menor índice de rejeição.

Outro dado relevante da pesquisa refere-se à rejeição dos candidatos.

Jerônimo Rodrigues: 40%

ACM Neto: 30%

Ronaldo Mansur: 17%

José Estevão: 13%

Aroldo Felix: 9%

A diferença de dez pontos percentuais entre ACM Neto e Jerônimo é considerada politicamente significativa, uma vez que candidatos com menor rejeição costumam possuir maior capacidade de ampliar sua votação ao longo da campanha.

A pesquisa mostra que 44% dos eleitores afirmam que ainda podem mudar de voto, enquanto 54% dizem já ter uma decisão definitiva.

Do ponto de vista da análise eleitoral, esse contingente demonstra que a disputa permanece aberta. Como a pesquisa não identifica para qual candidato os indecisos poderão migrar, não é possível afirmar que esses votos beneficiarão necessariamente qualquer um dos concorrentes. No entanto, merece atenção o fato de que a simulação de segundo turno apresenta ACM Neto numericamente à frente de Jerônimo Rodrigues. Alguns analistas consideram que esse comportamento pode indicar maior potencial de crescimento da candidatura oposicionista na reta final da campanha, mas essa é uma hipótese analítica e não uma conclusão estatística da pesquisa.

Segurança continua sendo principal desafio para o governo

Entre as áreas avaliadas pelos entrevistados, a segurança pública continua sendo o setor de pior desempenho. A avaliação administrativa negativa da segurança alcança 47%, o maior índice entre todas as áreas pesquisadas.

A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre 23 e 27 de julho de 2026, com 1.200 eleitores de 16 anos ou mais em todo o estado da Bahia.

A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.

O levantamento foi contratado pela Genial Investimentos e registrado na Justiça Eleitoral sob o número BA-02331/2026.

Os números da Quaest indicam uma disputa altamente competitiva. ACM Neto aparece numericamente à frente nos cenários de primeiro e segundo turno e possui menor rejeição do que o governador Jerônimo Rodrigues, fatores que podem ser considerados ativos importantes para sua candidatura. Por outro lado, Jerônimo mantém aprovação majoritária de governo e índices positivos de avaliação administrativa.

Assim, a pesquisa aponta uma eleição em aberto. A existência de um contingente expressivo de eleitores indecisos e de pessoas que admitem mudar de voto indica que o resultado final dependerá da evolução da campanha, não sendo possível concluir, com base neste levantamento, que qualquer candidato já tenha uma vitória assegurada.