A criminalidade está tomando conta da capital baiana, a cidade, antes atraente, figura quase todos os dias entre as páginas policiais dos jornais do Brasil e do mundo. Ontem, mais uma vítima dessa desenfreada violência urbana, a jovem paramirinhense Lorena Santana, adolescente de família muito bem educada, amada pelos pais, familiares e amigos, com planos e sonhos para o futuro, teve a vida ceifada por um elemento já conhecido da polícia, bandido que vivia em um dos muitos casarões abandonados no centro histórico.

Lorena foi incluída nos tristes números de assassinatos por bala perdida. Mesmo com o bandido capturado e preso, a família e a sociedade não se conforma com o terror que toma conta de uma cidade na qual Lorena planejava concluir seus estudos na faculdade, lá esteve para passear e a recepção que encontrou foi uma agressão involuntária de bandidos que se enfrentavam.

É triste, cada vez mais as pessoas serem obrigadas a conviver e até se acostumam com assaltos, assassinatos, roubos, quebra quebras e coisas do tipo e simplesmente se calam. A violência passa a ser cada vez mais natural na vida do soteropolitano, e de visitantes como foi o lamentável caso da jovem Lorena.

Estudiosos sobre o assunto, declaram que Salvador está a um passo de ter toda essa violência naturalizada. Vários pontos da cidade se tornaram o principal alvo desses delinqüentes, drogados, que totalmente marginalizados, dormem nas ruas, vivem em prédios abandonados, atacam e matam sem nenhum medo, assaltam a mão armada em plena luz do dia, se enfrentam com armas de fogo, sem nada a temer, pois eles sabem, alias a população sabe que segurança em Salvador, está difícil de “acontecer”.
 

Áreas como o centro histórico, Baixa dos Sapateiros, Barroquinha, Saúde, entre outros são alvos constantes de vários tipos de ações criminosas, ficando aqui o nosso conselho aos estudantes e amigos do interior, evitem estas partes da cidade e se tiverem que passar por lá, que tenham atenção redobrada. Assaltos a gente nem fala mais, porque virou rotina.

As explicações principais para a violência em Salvador, que ontem nos tirou uma jovem inocente, fazendo de lá uma selva de pedra. Segundo governo, policia e outros é que a mesma está ligada a fatores como urbanização, a concentração populacional, etc. Porém a explicação mais freqüente é a pobreza que quase sempre é apresentada como causadora da violência, mas ela não pode ser culpada pelo aumento da violência nesses últimos anos pois a pobreza sempre acompanhou a sociedade brasileira desde a sua origem.

O que ocorre é uma combinação de fatores entre eles a desigualdade social, o enfraquecimento da polícia, e principalmente o “pouco caso” de alguns setores do poder público, que ao invés de tentar combater está se tornando incapaz. Segundo os próprios policiais, eles tinham conhecimento de que o elemento Parma, autor dos disparos, vivia na área e agia constantemente. Ora! Uma simples varredura nos imóveis abandonados há tempos atrás, não evitaria a proliferação de tais elementos e dos seus crimes?

Isso é mais um desrespeito aos direitos dos cidadãos ao invés de protegê-los.
 

O que vemos é cada vez mais tráfico de drogas, assaltos, seqüestro relâmpagos, elementos de alta periculosidade nas ruas do centro de Salvador. Uma situação de terror. Nós que temos filhos que precisam estudar por lá, estamos cada dia mais desesperados, vivemos com medo, pois a Salvador que acolhia e zelava pelas pessoas, hoje se torna uma terra de ninguém.