
A violência em Salvador e na Bahia chegou ao extremo: ao fundo do poço. Ninguém está a salvo da bandidagem em qualquer bairro ou cidade, desde aqueles privilegiados que residem nos bairros classificados como "nobres" (até hoje não se entende essa esdrúxula classificação); passando pleos bairros da classe média; e nas localidades mais periféricas ao centro, especialmente o Subúrbio Ferroviário. Os crimes são permanentes, similares, o que denota uma degradação da sociedade nunca vista na Bahia.
Neste domingo, de forma banal, dois bandidos mataram uma professora do Colégio Salesiano que foi a padaria comprar pão com um filho de 4 anos e teria reagido para não entregar as chaves do seu carro, um celta, certamente adquirido com muito esforço, trabalho suado como profissional da área da educação.
Há pouco tempo, outra professora tombou no bairro de Stella Mares, pelo mesmo motivo. Um estudante universitário morreu no corredor da Vitória e um dono de estacionamento em Nazaré. Nos finais de semana, são centenas de homicidios na Região Metropolitana de Salvador.
Crimes banais, completamente fora de quaisquer parâmetros do ciclo da violência, sem que ninguém consiga explicações. Há quem use os argumentos de que, a sociedade baiana é degradada, por reflexo da colonização portuguesa, do longo ciclo de pobreza, da falta de oportunidades, da impunidade, de leis que não são cumpridas e de policiamento inadequado.
Mas é impossível para qualquer Policia vigiar uma cidade de 3 milhões de habitantes se não houver o mínimo de compreensão existencial da socidade. O processo de degradação é contínuo e não se pode querer, até por oportunismo político, culplar este ou aquele governo.
No México, país mais pobre do que o Brasil, em processo de desenvolvimento como o Brasil, onde a violência é histórica, hoje, localizada em determinadas cidades de fronteira e muito ligada ao narcotráfico. Mas, esse tipo de crime banal, de uma pessoa ir a padaria para comprar pão e ser assassinada porque se recusou a entregar as chaves do seu veículo não existe.
A Cidade do México tem 26 milhões de habitantes. No entanto, proporcionalmente, tem menos homicidios num final de semana do que Salvador. Seu metrô tem 300km e roda dia e noite sem assaltos.
No México, por exemplo, alguns locais não se vende bebidas alcoólicas, noutros tem-se horário para fechar bares e casas noturnas, a Policia age integrada e com rigor, e o crime banal é raro. A cidade de Mérida, capital de Yucatán, tem 1 milhão de habitamtes, e passeia-se às noites de charretes. En Cancún, capital de Quitana Roo, 800.000 habitantes, anda-se de ônibus nas madrugadas após as baladas. Não há registros de assaltos.

Quem pelo amor de São Benedito pode fazer uma coisa dessas em Salvador? Ninguém. Sequer pode passear no Campo Grande à noite. Quem vai a lagoa de Abaeté é assaltado. Até ir a Sorveteria da Ribeira, à noite, se tornou um perigo.
Recentemente, Sérgio Beleza escreveu um artigo no Correio mostrando como uma velhinha vive confinada numa janela de apartamento na Pituba, vendo o tempo passar, sem poder ir à rua, sem poder caminhar na Praça Nossa Senhora da Luz.
Nos bairros, por onde se anda, a cidade está enjaulada. num prédio, de classe média, tem guarita a prova de balas. As correspondências são entregues num aparato de segurança também a prova de balas. Uma loucura total. Semana passada, uma procuradora da Prefeitura saiu do Bela Massa, uma panificadora da RMS (Lauro de Freitas) e teve seu carro levado por bandidos depois de ser ameaçada com uma escopeta. Isso 7h da noite. De quebra levou um empurrão, caiu e fraturou duas costelas.
Creio que já passou da hora do governo expandir o Pacto pela Vida com uma ação mais ampla, educativa, institucional publicitária. Do jeito que a situação está vai ser muito dificil reverter essa situação e os baianos, da capital e do interior, vão viver a cada dia mais enclausurados e enjaulados.
Por: Tasso Franco – Jornalista
