Cotado para o quarto governo Lula, senador eleito pode repetir movimento de Waldeck Ornelas em 1998
A possibilidade de Rui Costa voltar à Esplanada dos Ministérios acrescenta um novo componente às articulações para o quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eleito senador pela Bahia, o ex-governador e ex-ministro da Casa Civil aparece entre os nomes mencionados para integrar a próxima equipe, mas ainda não há definição anunciada sobre sua nomeação ou a pasta que poderia comandar.
A trajetória administrativa ajuda a explicar por que seu nome permanece nas discussões. Rui governou a Bahia por dois mandatos e comandou a Casa Civil da Presidência entre janeiro de 2023 e abril de 2026. Sua experiência na coordenação do governo federal sustenta avaliações de aliados que defendem seu aproveitamento em uma pasta voltada à execução de projetos e investimentos. Outros interlocutores, entretanto, apontam que o senador eleito poderá priorizar sua atuação inicial no Congresso.
Caso assuma o mandato e posteriormente se afaste para integrar o ministério, Rui abrirá espaço para Ronaldo Carletto, do Avante, primeiro suplente de sua chapa. A escolha teria efeitos sobre a composição da representação baiana no Senado e sobre o espaço dos partidos aliados no Congresso. Rui foi eleito em outubro ao lado de Jaques Wagner, que renovou seu mandato.
Uma eventual licença para ocupar um ministério retomaria um movimento que não ocorre entre senadores baianos desde 1998. Naquele ano, Waldeck Ornelas, então no PFL, deixou temporariamente o Senado para comandar o Ministério da Previdência e Assistência Social no governo Fernando Henrique Cardoso. Djalma Bessa assumiu sua cadeira durante o afastamento. Ornelas retornou ao exercício parlamentar em fevereiro de 2001.
Outro afastamento ocorreu em 2016, quando Walter Pinheiro deixou o Senado para assumir a Secretaria da Educação da Bahia, justamente no governo Rui Costa. Roberto Muniz ocupou a vaga entre junho daquele ano e abril de 2018. Naquela ocasião, porém, a mudança ocorreu para uma função no Executivo estadual.
Para a Bahia, a discussão envolve duas formas de participação no próximo governo. No Senado, Rui poderá atuar nas negociações e votações de interesse do estado. Em um ministério, poderá voltar a responder diretamente pela execução de políticas públicas. O peso político de uma eventual nomeação dependerá das atribuições da pasta e da capacidade de transformar essa presença em resultados para a população.
