A Justiça baiana condenou o ex-vereador João Pereira Sena, conhecido como João da Água, a uma pena superior a 45 anos de reclusão pelo assassinato da companheira, Cleonice Pereira dos Santos, de 47 anos. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri da Vara Criminal de Ubaitaba, consolidando um desfecho rigoroso para um caso que chocou a região sul do estado.

O crime aconteceu na zona rural de Aurelino Leal, deixando a comunidade local consternada com a gravidade da violência. A apuração jornalística detalha que o processo reuniu provas robustas sobre a dinâmica do feminicídio e as tentativas do réu de burlar a investigação policial.

Julgamento e condenação no tribunal

Durante a sessão do Tribunal do Júri, os jurados reconheceram por maioria de votos que o ex-parlamentar foi o autor das agressões letais. O Conselho de Sentença acatou as teses de que o homicídio foi cometido em contexto de violência doméstica, com emprego de asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Além da pena principal pelo feminicídio, o réu também foi condenado por fraude processual. Os jurados entenderam que ele alterou a cena do crime, ocultou o aparelho celular da vítima e apresentou uma versão falsa aos profissionais de saúde ao transportar o corpo até o hospital local.

Tentativa de ocultação e histórico de agressões

As investigações conduzidas pelas autoridades apontaram que o condenado tentou simular um mal súbito para justificar o óbito de Cleonice Pereira dos Santos. Contudo, os exames e os depoimentos colhidos ao longo da instrução criminal desmontaram a narrativa apresentada pela defesa.

O magistrado responsável pelo caso destacou na sentença a existência de um histórico prévio de agressões físicas praticadas pelo ex-vereador contra a companheira. O julgamento também pesou agravantes relacionados a desentendimentos patrimoniais, apontando que o réu se recusava a repassar valores de negociações imobiliárias à vítima.

Repercussão e desdobramentos judiciais

O caso ganhou ampla repercussão na imprensa regional e nacional, reacendendo o debate sobre a urgência de combater o feminicídio e proteger mulheres em situação de vulnerabilidade. A TV Santa Cruz acompanhou os desdobramentos da instrução e do julgamento, informando os espectadores sobre cada etapa do processo legal.

A defesa do ex-parlamentar informou que pretende recorrer da decisão. No entanto, a Justiça determinou o cumprimento inicial da pena em regime fechado e negou ao condenado o direito de apelar em liberdade, garantindo que ele permaneça recluso.

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