“Concluiremos nesse final de semana a primeira fase, que é vacinar os profissionais de saúde da linha de frente, idosos asilados e com mais de 90 anos”.

Com chegada à Bahia prevista para sexta-feira (5), um novo lote de cerca de 230 mil doses da Coronavac permitirá o começo da vacinação contra a Covid-19 também para os idosos a partir dos 80 anos a partir da próxima segunda-feira (8), informou o secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas-Boas. O martelo deve ser batido hoje em nova reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), fórum formado pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) e o Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems).

“Receberemos em torno de 230 mil, 240 mil doses, e programamos para, a partir de segunda-feira, ampliar entre os profissionais de saúde e começar, de forma decrescente, com idosos entre 89 e 80 anos. Enquanto houver vacina, a gente vai vacinando. Está prevista também para a próxima semana uma nova remessa de vacina. Não conseguiremos vacinar entre 75 anos e 80 anos, porque aí já amplia muito a base de pessoas”, declarou Vilas-Boas, durante transmissão nas redes sociais, ao lado do governador Rui Costa.

A Bahia recebeu, até então, 550,7 mil doses de vacinas contra a Covid-19. Já foram distribuídas 351,2 mil e aplicadas 217,6 mil, o que corresponde a 62% dos imunizantes enviados aos municípios. De acordo com a Sesab, nunca é feita a distribuição integral da quantidade disponível, pela necessidade de uma reserva técnica, destinada “à possibilidade de ser necessário algum ajuste no quantitativo de algum município ou reposição de algum frasco de vacina que quebre”.

O plano estadual de vacinação estima uma população de 1,79 milhão a ser imunizada na primeira fase – voltada para profissionais de saúde, idosos a partir de 75 anos, idosos abrigados a partir de 60 anos, indígenas e povos e comunidades ribeirinhas. Por causa da baixa disponibilidade de vacinas, o estado começou a imunizar inicialmente profissionais da linha de frente de combate à Covid-19, indígenas e idosos abrigados, passando a incluir outros grupos com o avanço da vacinação, como mais profissionais de saúde e idosos não abrigados.

Cobrança pela Sputnik

Rui e Vilas-Boas também voltaram a cobrar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acelere a autorização para uso emergencial da vacina russa Sputnik V no Brasil. O governo do Estado tenta, em uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), a autorização para importar e distribuir vacinas sem registro na Anvisa, desde que tenham o aval de uma Agência Reguladora Regional de Referência.

O governador informou que o Estado, em petição, incluirá no processo um estudo relativo à Sputnik V publicado pela revista científica The Lancet. Desenvolvido pelo instituto de pesquisa Gamaleya, o imunizante tem eficácia de 91,6%, conforme resultados preliminares divulgados pela publicação, uma das mais respeitadas do mundo.

Segundo Rui, a Anvisa tem se recusado a analisar documentos apresentados pela fabricante da vacina até que tenha início a fase 3 de testes da vacina no país. “Um estudo de caso no Brasil demoraria 90 dias. Não é possível que a Anvisa fique com essa burocracia. É absoluta falta de sensibilidade com a vida humana. É idêntico ao comportamento que teve ano passado, quando começamos a medir a temperatura das pessoas no aeroporto e a Anvisa entrou na Justiça contra isso”, declarou o chefe do Executivo baiano.

“Além disso, hoje é eticamente inaceitável chegar para uma pessoa de 75 anos e dizer que, em um teste, ela tem 50% de chance de receber um placebo. E que, nesse período, não vai poder receber qualquer outra vacina. Qual pessoa vai aceitar isso?”, acrescentou Vilas-Boas.

Segundo Vilas-Boas, a empresa AstraZeneca e a Universidade de Oxford já propuseram, inclusive, fazer a primeira aplicação com a sua vacina e a segunda com a Sputnik V para a realização de testes, o que reforçaria a segurança e eficácia do imunizante russo.